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EB-1 ou EB-2: qual visto americano de trabalho combina com a sua carreira?

Todo mês eu sento com brasileiros que chegam ao meu escritório com a mesma dúvida: “Dr. Miguel, eu me qualifico para o EB-1 ou preciso seguir pelo EB-2?” É uma pergunta justa, porque a resposta muda completamente o tempo de espera, o custo do processo e até se você vai precisar de um empregador americano te patrocinando ou pode entrar com o pedido sozinho.

Depois de anos acompanhando clientes, de pesquisadores e médicos a executivos e fundadores de startup, percebo que a maior parte da confusão não está na papelada e sim em entender qual categoria de visto americano de trabalho reflete melhor a trajetória da pessoa. Neste artigo eu explico, na prática, as diferenças entre EB-1 e EB-2, incluindo o EB-2 NIW, e em que momento vale a pena considerar outras portas de entrada, como o L-1A ou o EB-5.

O que é o EB-1

O EB-1 é a primeira categoria de preferência dentro do sistema de green card baseado em emprego dos Estados Unidos. Foi criada para quem já chegou a um nível de destaque comprovado, não para quem está começando a construir uma carreira de destaque, mas para quem já tem resultado documentado. Divido o EB-1 em três frentes quando converso com clientes:

  • EB-1A de habilidade extraordinária. Aqui não existe exigência de patrocínio de empresa nem de oferta de emprego. É o visto de habilidades excepcionais mais conhecido entre cientistas, atletas, artistas e executivos que já acumularam reconhecimento nacional ou internacional. Para qualificar, o USCIS pede evidências como prêmios relevantes, publicações sobre o seu trabalho, participação em bancas avaliadoras, contribuições originais de peso na sua área, entre outros critérios.
  • EB-1B de professores e pesquisadores outstanding. Voltado para quem tem pelo menos três anos de experiência acadêmica ou de pesquisa e uma instituição americana disposta a patrocinar o pedido.
  • EB-1C de executivos e gerentes multinacionais. Pensado para quem já trabalhou no exterior, em cargo de gestão, para uma empresa que tem afiliada nos Estados Unidos, e está sendo transferido para lá.

Um ponto que sempre destaco: o EB-1 nunca exige certificação de trabalho PERM, o que já elimina uma das etapas mais demoradas do processo de green card.

O que é o EB-2 e o EB-2 NIW

O EB-2 é a segunda categoria de preferência, criada para profissionais com formação avançada ou habilidade excepcional. Normalmente exige que um empregador americano abra o processo de certificação PERM junto ao Departamento do Trabalho, um processo que, na minha experiência recente com clientes, tem levado bem mais de um ano só para ser concluído, antes mesmo de protocolar o pedido de imigrante (I-140).

É aqui que entra o EB-2 NIW (National Interest Waiver), uma das ferramentas que mais uso com clientes que não têm, ou não querem depender de, patrocínio de empregador. O visto EB-2 NIW permite que o próprio profissional entre com o pedido, sem oferta de emprego e sem PERM, desde que demonstre que o seu trabalho atende aos três critérios estabelecidos pelo precedente Matter of Dhanasar:

  1. o projeto proposto tem mérito substancial e importância nacional;
  2. o profissional está bem posicionado para levar esse projeto adiante;
  3. é do interesse dos Estados Unidos dispensar a exigência de oferta de emprego e certificação de trabalho.

O visto EB2-NIW para engenheiros, por exemplo, tem se mostrado um caminho muito procurado ultimamente, assim como para pesquisadores de saúde pública, tecnologia e fundadores de startups com projetos de impacto nos EUA.

Comparando EB-1 e EB-2 lado a lado

EB-1 EB-2
Padrão de elegibilidade Habilidade extraordinária, conquista notável ou cargo executivo multinacional Formação avançada, habilidade excepcional ou relevância para o interesse nacional (NIW)
Autopetição Só no EB-1A Só no EB-2 NIW
Exige oferta de emprego EB-1A: não / EB-1B e EB-1C: sim EB-2 padrão: sim / NIW: não
Exige PERM Nunca Sim, exceto no NIW
Fila do Visa Bulletin Geralmente mais curta Costuma ter backlogs maiores, principalmente Índia e China
Processamento premium 15 a 45 dias úteis, dependendo da subcategoria 15 dias (I-140 apenas) a 45 dias úteis no NIW

Um detalhe que sempre reforço para clientes de países com grande volume de pedidos, como Índia e China: a diferença de espera entre EB-1 e EB-2 pode significar anos de diferença na hora de solicitar a residência permanente. Para a maioria dos brasileiros, felizmente, tanto EB-1 quanto EB-2 costumam estar “correntes” no Visa Bulletin, ou seja, sem fila de espera pela data de prioridade, o que muda o foco da decisão para a qualificação em si, e não apenas para o tempo de espera.

EB-1A ou EB-2 NIW: qual a petição escolher?

Essa é, sem dúvida, a comparação que mais recebo em consulta. Os dois permitem que você mesmo entre com o pedido, sem depender de um empregador, mas avaliam o seu perfil de formas opostas:

  • O EB-1A olha para trás: você já alcançou reconhecimento nacional ou internacional comprovado no seu campo?
  • O EB-2 NIW olha para frente: o seu projeto atual tem relevância suficiente para o interesse nacional americano, mesmo que você ainda não tenha o currículo de destaque exigido pelo EB-1A?

Tenho visto clientes com perfil de pesquisador ou médico que se qualificam para os dois, e nesses casos, frequentemente recomendo protocolar as duas petições ao mesmo tempo. Se o EB-1A for aprovado, você garante uma data de prioridade mais vantajosa. Se for negado, o EB-2 NIW segue como alternativa, sem que você perca o tempo já investido, já que cada petição é analisada de forma independente pelo USCIS.

E se o meu perfil não se encaixa em nenhum dos dois?

Nem todo profissional brasileiro que busca migrar para os Estados Unidos se encaixa perfeitamente no EB-1 ou no EB-2. Por isso, no meu escritório, sempre trato a estratégia migratória dentro de um contexto mais amplo:

  • Para executivos que já têm uma empresa no Brasil e querem expandir a operação para os EUA, o L-1A costuma ser o ponto de partida mais rápido antes de eventualmente migrar para um EB-1C.
  • Para investidores, o EB-5 continua sendo um caminho consolidado para quem busca residência permanente através de investimento, e uma das perguntas mais comuns que recebo é justamente sobre o retorno do investimento no EB-5 e os riscos envolvidos na escolha do projeto.
  • Para quem está estruturando um negócio nos Estados Unidos, seja para sustentar um visto de trabalho, seja como parte de um plano de longo prazo, também ajudo na abertura de LLC nos EUA e na parte de direito empresarial que sustenta esse tipo de operação, incluindo fundadores de startup buscando se estabelecer legalmente no país.

Como decido, junto com meus clientes, entre EB-1 e EB-2

Não existe fórmula genérica. Cada avaliação que faço leva em conta a trajetória profissional, o país de nascimento do cliente, a urgência do processo e os objetivos de carreira nos Estados Unidos. Um Ph.D., por exemplo, já garante a qualificação básica para o EB-2A por conta da formação avançada, mas isso não significa que o EB-1A esteja fora de alcance. Se essa pessoa tiver publicações relevantes, atividade de revisão por pares, citações ou um salário destacado dentro da sua área, o perfil pode perfeitamente sustentar uma petição de habilidade extraordinária.

Também é comum eu recomendar começar pelo EB-2 e, mais adiante, migrar para o EB-1 conforme a carreira do cliente evolui, em alguns casos, é possível inclusive manter a data de prioridade original do EB-2 na nova petição.

Fale comigo sobre o seu caso

Se você está avaliando um visto americano de trabalho e não sabe se o seu perfil está mais próximo do EB-1A, do EB-2 NIW ou de outro caminho, como o L-1A ou o EB-5, terei prazer em analisar a sua trajetória com você. Como advogado brasileiro nos EUA, entendo as particularidades de quem está construindo carreira em outro país e sei o quanto essa decisão pesa no seu planejamento de vida.

Marque uma consulta com o meu escritório e vamos construir, juntos, a estratégia migratória mais forte para o seu perfil.

Dr. Miguel

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